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terça-feira, 19 de março de 2013

A favor da Inovação - Tração Animal é coisa do Passado

Carroças, Carroceiros e animais de Tração: um problema social ou de Educação Ambiental?



Considerando a quantidade de animais envolvidos e o grande número de pessoas que se utilizam dessa atividade, essa prática se impõe como importante questão de bem-estar, animal e humano.



A foto da carrocinha/bicicleta foi postada pelo professor do Colégio Rubem Alves - Alexandre de Miranda, no mural do prefeito Paulo Piau, no Facebook, sugerindo sua utilização em Uberaba. Ideia original é de um site voltado para a defesa dos animais (Vegetariano) e objetiva justamente acabar com as carroças puxadas por cavalos.


É notório como, nos dias atuais, ainda verificarmos na periferia de várias cidades do país, principalmente no nordeste, a presença de equídeos (equinos, asininos e muares) tracionando carroças. É um cenário muito comum, e, por mais paradoxal que seja, nos tempos modernos, ainda hoje, as carroças constituem o meio de transporte mais barato para as necessidades do dia-a-dia, desde o carreto de móveis a entulho, areia, tijolos, lixo etc., assegurando a subsistência de muitos trabalhadores do setor informal.

Cavalo agonizando


Quando inutilizáveis pelos Carroceiros, os Cavalos são abandonados

O grupo dos equídeos contempla os cavalos, os asininos (jumentos) e os muares. Estes são híbridos, cruzamento de jumento com égua, originando a mula ou burro ou, ainda, mais raramente, cruzamentos de garanhão (cavalo) com jumenta, originando o bardoto, animal de menor porte e imperfeições na cabeça, provavelmente por falta de espaço no útero materno. Os equídeos são animais sociáveis e de vida livre. 



Os termos “cavalos” e “equinos” serão muitas vezes utilizados neste artigo de forma genérica para todos os equídeos, em concordância com este grupo que contempla os cavalos, os asininos ou jumentos e os muares. 

Considerando a quantidade de animais envolvidos e o grande número de pessoas que se utilizam dessa atividade, sendo às vezes a principal ou até a única fonte de renda de um grupo familiar, ou o meio de transporte fundamental de uma localidade, essa prática se impõe como importante questão de bem-estar, animal e humano.


Notório Cavalo sem forças

Os equídeos são usados para tração de carroças, principalmente na área urbana e costumam enfrentar desde cedo muitas situações estressantes e ameaçadoras como a colocação de arreios e peias, a subnutrição, a confusão do trânsito e o barulho e movimento nas ruas, o excesso de carga e o horário prolongado de trabalho, o descanso insuficiente, o manejo inadequado. Tudo isso gera graves problemas de bem-estar para esses animais.




Sabemos no entanto que, em sua grande maioria, esses animais são mantidos e utilizados pela população de menor poder aquisitivo e, comumente, de baixo grau de escolaridade. Submetidos muitas das vezes, a arreios e peias, ferrageamentos (ato de ferrar ou ferragear o animal) inadequados, esses animais provavelmente, considerando-se as exceções, são alvos de pressão e maus-tratos, levando horas sem comer, beber ou descansar, carregando peso superior ao recomendado. 



Concomitantemente, por falta de recursos de seus proprietários, também não recebem qualquer tipo de assistência veterinária, seja preventiva ou curativa, tal como vacinação, mineralização, desverminação (desvermifugação ou vermifugação – administração de vermífugo) e tratamento para determinadas doenças e ferimentos.


Como se não bastasse, os implementos que os prendem à carroça causam-lhes geralmente ferimentos e desconforto, além de ficarem expostos às intempéries, como sol forte ou chuva e frio. Afastados de suas condições naturais de vida, à noite, ficam presos em determinados ambientes ou amarrados em arbustos próximos às casas dos carroceiros (seus proprietários), ou quando não saem a perambular, procurando certamente por abrigo e ou comida. 




E como são vistos os carroceiros?

De um modo geral, aqueles que vivem exclusivamente dessa atividade, vivem à margem da sociedade, em condições insalubres e desprezíveis, tendo um histórico de despreparo educacional e de meio ambiente.





Podemos observar vários indivíduos que são carroceiros já há algum tempo e que continuam vivendo na mesma situação de subemprego. Mas como mudar esse quadro, se não há nenhum tipo de apoio do poder público nem tampouco uma associação? E como é que fica a situação desse animal que é tutelado pelo Estado e tem direitos garantidos por lei? Será que o Poder Público tem pensado como resolver esse sério problema social?


Tração Animal é coisa do passado.

Nesse contexto, é imprescindível que se promova a melhoria das condições de vida dos carroceiros, dos seus familiares e desses animais de tração, garantindo-lhes o bem-estar. Claro que isso demanda um grande esforço conjunto das autoridades governamentais, dos legisladores, e da própria sociedade, para que se crie uma consciência de respeito em relação a esses animais e para que se garantam as condições mínimas necessárias para a sua manutenção e o controle da sua utilização.


Não há limites quando há ignorância

Com essa preocupação, atualmente, algumas prefeituras têm procurado desenvolver programas, buscando melhorar as condições de trabalho e vida dos carroceiros, bem como o bem estar dos animais, a exemplo da renovação das carroças já desgastadas, da sua padronização e a inserção das famílias nos programas assistenciais, o que comprova ser de suma importância a criação de uma associação, visando organizar a classe e oferecer condições para que os carroceiros desempenhem seu trabalho com dignidade.




Por outro lado, sabe-se que os equinos eventualmente tornam-se portadores de doenças transmissíveis aos homens (zoonoses), dentre as principais, estão a raiva, a leptospirose, a brucelose, a tuberculose, a febre maculosa e a doença de Lyme ou borreliose, estas duas ultimas transmitidas pelo carrapato do cavalo; inclusive o convívio com esses animais é muito grande, envolvendo crianças, outros animais domésticos, pessoas que coletam lixo, enfim, constituindo-se numa problemática para a Saúde Pública, principalmente quando não tomadas as devidas medidas profiláticas. 

Dessa forma, torna-se fundamental o esclarecimento e a educação sanitária dessas famílias quanto ao correto manejo dos equinos e demais animais por eles mantidos, bem como a promoção de melhores condições de trabalho para essas pessoas, visando à promoção da Saúde Coletiva.

A Constituição do Brasil, no capítulo sobre Meio Ambiente - artigo 225 - veda práticas que submetam os animais à crueldade. A chamada Lei dos Crimes Ambientais (Lei Federal n° 9.605), sancionada em 1998, através de seu artigo 32, transformou o ato de praticar abusos, maus-tratos, ferir ou mutilar animais de quaisquer espécies em crime, com pena de detenção de três meses a um ano e multa, ressaltando que a pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer morte do animal. Algumas cidades brasileiras já possuem leis disciplinando especificamente a questão dos animais de tração.



Diante dos fatos, por que então não criar um programa onde se possa cuidar dos animais e também dos carroceiros e de suas famílias? Vejamos algumas medidas consideradas relevantes e primordiais:

• fomentar a criação de uma Associação dos carroceiros de para a constituição de uma categoria identificada e reconhecida na sociedade;
• planejar as atividades com tração animal e substituição por carroças de estrutura leve para tração humana, estabelecendo regras, procedimentos, condições e exigências para o desempenho do ofício;
• cadastrar as carroças definindo o padrão e a adequação para o transporte, de materiais e objetos diversos, lixo de coleta seletiva, destinado a reciclagens, entulhos, resíduos da construção civil, etc.;
• proporcionar atendimento e vacinação dos animais no trabalho, controle de doenças, aquisição de medicamentos e produtos veterinários a baixo custo ou quem sabe, a custo zero;
• proporcionar meios para o aluguel, arrendamento ou aquisição de espaço adequado para os animais, como área de pastagens e descanso, além de galpões.


E no fim das contas, balancear e concluir que tração humana renderá mais que tração animal, de forma que animais não se tornem vítimas da escravidão humana mas sim 'colegas' de trabalho, do qual os lucros serão divididos e comprovados nas formas da Lei.

- Por Oscar Vitorino Moreira Mendes, Méd. Vet. 10/103 e Ex-prof. da UESB - Membro do Núcleo de Veterinários de Jequié
- Adaptação e imagens: Silvia Gonzaga - ADM B.O.Animal
Fonte: http://www.gicult.com.br/colunas/57-carrocas-carroceiros-e-animais-de-tracao-um-problema-social-ou-de-educacao-ambiental.html


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